Faixa preta de Jiu-Jitsu e lutador profissional de MMA, Pedro Munhoz, em uma breve passagem pelo Brasil, aproveitou para ministrar um seminário na zona leste de São Paulo. Com a participação especial do fisioterapeuta e também faixa-preta Luis Felipe Menichelli, ministrando pilates funcional para lutadores, o seminário foi um sucesso.
“Os participantes tiveram uma hora de pilates funcional e três horas de Jiu-Jitsu sendo uma hora de Jiu-Jitsu de quimono e as duas últimas horas de Jiu-Jitsu sem quimono, com uma hora de técnicas e uma hora de rola, focando nas competições do segundo semestre, que são na maioria sem quimono”, conta Pedrinho. Além das aulas, todos os presentes participaram do sorteio de 10 kits de produtos Arte Suave e Ramuaii.
Revista Tatame
domingo, 23 de junho de 2013
domingo, 9 de junho de 2013
Dor lombar crônica: A culpa é da bactéria?
A notícia espalhou-se rapidamente, nos periódicos científicos e não-científicos, pelo impacto que poderia causar devido à possível redução de parte das cirurgias e dos custos de tratamento das dores lombares crônicas.Pesquisadores da Dinamarca publicaram dois artigos muito bem fundamentados na revista European Spine Journal, chamado “Antibiotic treatment in patients with chronic low back pain and vertebral bone edema (Modic type 1 changes): a doubleblind randomized clinical controlled trial of efficacy” by Albert, Sorensen, Christensen and Manniche”, mostrando que em alguns casos de dor lombar crônica a causa seria uma bactéria chamada Proprionibacterium Acnes.
A ideia não é nova.
Desde 2005, o P. acnes havia sido associado a dores lombares crônicas após cirurgia da coluna. Estes resultados intrigantes levaram o direcionamento da pesquisa para outras condições médicas, tais como ciática e inflamação do disco.
Alguns artigos já haviam demonstrado que organismos anaeróbicos de baixa virulência como o Proprionibacterium acnes e o Corynebacterium propinquum haviam sido encontrados em 53% dos pacientes. Outro estudo encontrou a bactéria em 37% do material colhido em pacientes com discos herniados e 0% em pacientes com outros problemas lombares. Em um estudo preliminar, realizado por Albert, dos 61 pacientes submetidos a cirurgia de hernia discal, o material colhido durante a cirurgia mostrava que 46% estavam infectados, sendo que o P.Acnes era responsável por 84 % das infecções.
O mecanismo discutido no primeiro artigo é como infecções bacterianas no material do disco com lesões poderiam causar inflamação dolorosa, edema e microfraturas no corpo vertebral. Na verdade, eles avaliaram a associação deste material infectado por bactérias anaerébicas com alterações vertebrais tipo MODIC 1 nas vértebras adjacentes. Alterações do tipo MODIC 1 são detectadas por RMN e se traduzem pela presença de edema ósseo.
Estudos mostram que elas são observadas em 6% da população normal e em 35 a 40% dos portadores dee dor lombar crônica. Elas são facilmente visualizadas e o interessante é que alguns autores ja haviam proposto que elas estavam consistentemente associadas com a presença de dor lombar não-especifica e poderiam ter um papel no prognóstico destes pacientes.
Porém, até aqui, pensava que estas alterações ocorriam principalmente devido a alterações mecânicas. Mas, como a infecção ocorreria?
Acredita-se que esta bactéria encontrada na acne e na pele poderia penetrar na circulação quando escovamos os dentes. Neste caso, ela seria inócua. Mas nos pacientes que apresentam lesão discal e microfraturas dos anéis, a tentativa de reparo leva a formação de neovascularização. Com o maior aporte de sangue, a bactéria permaneceria lá e produziria inflamação e alterações ósseas. O segundo artigo envolveu 162 pacientes com dor lombar crônica e hérnia discal confirmada por RMN, entre 6 meses a 2 anos, e alterações Modic tipo 1.
O Antibiótico utilizado foi o clavulonato de amoxilina, três vezes ao dia, por 100 dias, baseado na recomendação de experts em infecção. O placebo era uma pílula branca indistinguível do antibiótico. Havia quatro grupos de tratamento: doses simples e duplas de antibióticos e doses simples e duplas de placebo. Os pacientes foram acompanhados por 12 meses. O interessante é que, após cem dias de antibióticos, houve redução da dor em 80% dos pacientes que tinham dor há mais de 6 meses e alterações MODIC tipo 1. Para mim, a maior surpresa foi com os pacientes que tinham dor irradiada para a perna. Nestes houve redução de 68% na dor comparado ao placebo, que aumentou um pouco.
O artigo é promissor e abre perspectivas para alguns portadores de dor lombar crônica, mas mesmo os autores são cautelosos ao afirmar que os achados se aplicam somente a este grupo bem específico de portadores de dor lombar associadas a hérnias discais e alterações do tipo MODIC 1 detectadas por RMN.
Caso isto se confirme, terei que admitir que em alguns casos, ao longo da minha pratica clínica, realizei “manipulações vertebrais” em bactérias. Será que a partir de agora teremos que considerar mais um subgrupo nos sistemas de classificação da dor lombar?
Palmiro Torrieri Junior
Fisioterapeuta,osteopata D.O Hon,MCTA
fisioterapiamanual.com.b
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